Por que a crítica detonou e o público comprou “O Outro Lado do Paraíso”

 

Com números de audiência extraordinários, sem igual desde 2012, “O Outro Lado do Paraíso” chega ao final nesta sexta-feira (11) com um índice de rejeição entre os críticos que raramente se vê também. O que explica estes dois movimentos tão extremos? Por que a novela Walcyr Carrasco atraiu tanto público e tantas criticas negativas ao mesmo tempo?

É preciso logo dizer que críticos não são capazes de influenciar números de audiência de um veiculo de comunicação de massa como a televisão. É preciso ser ingênuo ou pretensioso para acreditar no contrário. Eles têm outras funções, entre as quais, justamente, a de procurar explicar por que um programa de má qualidade faz tanto sucesso.

Em uma faixa horária com longa tradição em melodramas realistas, “O Outro Lado do Paraíso” optou por deixar de lado a lógica em situações-chave e abraçar soluções mágicas para os conflitos que criou. Inúmeras situações soaram anacrônicas, como se a novela se passasse em outra época, e não nos dias atuais. O autor reciclou, sem pudor, várias histórias conhecidas. Bons assuntos foram tratados de forma brutal, sem meios termos ou sutilezas. Os diálogos primaram pelo didatismo exagerado e pela pobraza.

Todas estas críticas foram feitas, neste blog e em outros, ao longo dos últimos sete meses. Não vou entrar em detalhes novamente, mas deixo algumas sugestões de leitura no final deste texto. Em essência, para a crítica, “O Outro Lado do Paraíso” se mostrou uma novela preguiçosa, que usou e abusou de truques batidos e ofereceu muito pouco para a reflexão do espectador. É possível enxergar estes problemas que elenquei sob outra ótica – eles servem como chave para explicar os ótimos números de audiência da novela. Carrasco criou uma trama de vingança muito clara, com ótimas iscas para fisgar o espectador (o psiquiatra, o delegado, o juiz). A falta de lógica foi compensada pela entrega, ao público, do que ele queria ver – a vitória do bem sobre o mal. O didatismo e o coloquialismo ajudaram o espectador a se aproximar da trama. A reciclagem de temas não foi notada ou não incomodou – ao contrário, mostrou a eficácia de recontar as mesmas boas e velhas histórias.

 

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