Julgamento de Harvey Weinstein é adiado para 9 de setembro

MUNDO O julgamento por agressões sexuais do ex-produtor de cinema Harvey Weinstein será realizado em 9 de setembro, três meses depois do previsto, indicou nesta sexta-feira um juiz de Nova York.

O ex-produtor, ligado ao surgimento do movimento #MeToo, foi acusado no ano passado de agressão sexual de duas mulheres, por um estupro em 2013 e uma felação forçada em 2006.

Presente nesta sexta-feira na audiência, Weinstein, de 67 anos, pode ser condenado à prisão perpétua se for considerado culpado após este processo, que durará cerca de cinco semanas.

Um advogado da defesa elogiou o adiamento do julgamento. “Vai nos dar tempo para aprofundar o tema e falar com as pessoas que se manifestam para nos dizer coisas muito úteis para Weinstein”, afirmou Jose Baez, que assumiu a defesa do acusado há apenas três meses.

O adiamento do processo foi anunciado após uma audiência de quatro horas que foi realizada a portas fechadas a pedido dos advogados de ambos os lados, apesar do protesto dos meios.

A audiência deveria determinar se várias mulheres que acusaram o famoso produtor de Hollywood de agressão sexual serão autorizadas a testemunhar no julgamento, além das duas mulheres que o denunciam ante a justiça.

O juiz James Burke deu a entender que sua decisão sobre o assunto não seria comunicada ao público até o início do julgamento.

Desde outubro de 2017, mais de 80 mulheres acusaram publicamente Weinstein, ex-chefe dos prestigiosos estúdios Miramax e The Weinstein Company, de tê-las estuprado, agredido sexualmente ou assediado, entre elas celebridades como Ashley Judd, Angelina Jolie e Salma Hayek.

Mas o produtor só foi acusado formalmente de duas agressões em Nova York, já que as outras acusações eram antigas demais e os delitos prescreveram.

Em consequência do fechamento da audiência à imprensa, não se sabe quantas dessas 80 mulheres a promotora Joan Orbon-Illuzzi quer chamar para o banco das testemunhas. O que relatarem poderá afetar o desenlace do processo.

Em abril de 2018, os testemunhos de cinco mulheres que não faziam parte da acusação foram decisivos no segundo julgamento da ex-estrela da televisão americana Bill Cosby, acusado também de agressões sexuais a várias mulheres, mas julgado por apenas uma.

Cosby foi considerado culpado e condenado a ao menos três anos de prisão, na primeira vitória judicial da era #MeToo.

O advogado Jose Baez afirmou no entanto após a audiência que “geralmente” quando a acusação quer chamar outras mulheres como testemunhas, “é bom para a defesa” porque significa que a promotoria “não pode provar” a culpa do acusado só com as duas acusadoras na origem da acusação.