Corpos de mortos em briga no Compaj começam a ser liberados no IML, em Manaus

AMAZONAS Os corpos dos detentos mortos durante uma briga no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) começaram a ser liberados para os familiares no Instituto Médico Legal (IML), em Manaus. Quinze pessoas morreram na confusão ocorrida no domingo (26), em horário de visitação.

A briga envolveu um número ainda não informado de presos dos pavilhões 3 e 5 do Compaj, que fica localizado em um complexo de unidades prisionais no Km 8 da rodovia BR-174.

As mortes ocorreram nas quadras e dentro das celas, com uso de estoques (feitos com escovas de dente) e também por enforcamento. Nenhum familiar ficou ferido.

A Seap já iniciou as investigações em relação ao ocorrido. A confusão teve início às 11h, no momento em que parentes faziam visitas.

A pasta fará um levantamento, por meio das câmeras de segurança, para identificar os autores dos assassinatos e encaminhar para a Justiça, além de aplicar medidas administrativas em toda a unidade. As visitas foram suspensas no Compaj e em outras unidades prisionais da capital.

Irmã de Cleison Silva do Nascimento, 25, Maria Clara estava na sede do IML junto com a mãe. As duas contaram que o homem cumpria pena por tráfico de drogas há dois anos no local.

“Meu irmão morreu com fome, com sede, ele tava magro. Tanto tempo, tanto sofrimento. É muita revolta e tristeza. Ele nunca tirou a vida de ninguém, já estava pagando a sentença dele, não precisava de tanta maldade, perfuraram o meu irmão todinho, estrangularam ele. Ele só errou uma vez”, lamentou.

O primeiro corpo a ser liberado foi o de Pedro Paulo Melo Xavier, de 24 anos. O jovem cumpria pena há mais de sete anos por tráfico de drogas no local. A mãe dele, a auxiliar de cozinha Elsina Melo, de 49 anos, também falou com a reportagem.

“Hoje eu tô levando meu filho para ser enterrado porque a Justiça não existe. Eu já estava com os documentos de solicitação da progressão de pena. Pobre não tem direito, pobre só tem direito de ser privado dos seus direitos. O que mais dói é mãe ainda ter que ouvir calúnias porque a sociedade condena. Eles estavam lá sim, mas já estavam pagando pelo erro deles. São pessoas também, seres humanos”, disse.

Madrinha de outro detento, Lenita Soares alegou que não houve apoio do Estado.

“São presos, eu sei que estão errados, que cometeram atos infracionais graves, é dever do Estado estar dando todo o apoio pois estão custodiados. Eu quero fazer um apelo aos órgãos competentes. Quero agradecer apenas ao Instituto Médico Legal que deu todo o apoio. Isso é uma vergonha”, reclamou.